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VOCÊ NA COZINHA

CUPCAKES, a delícia americana
Por Carolina Sotero
carol_sotero182@hotmail.com

A globalização tem seu lado bom. Um deles é que podemos copiar as boas idéias e fazer logo as receitas gostosas que chegam rapidinho aqui nas nossas bandas. Hoje, a moda nos casamentos americanos são os “CupCakes”, que pode-se traduzir como “Bolo de Copo”. As noivas desistiram dos bolos gigantes e agora aderiram aos pequenos bolinhos na hora do buffet. O bom da novidade é que os convidados podem pegar seu pedaço sem precisar sujar mais pratos e talheres.

Cupcakes para os convidados!

Cupcakes para os convidados!

As montagens, decorações e sabores são inúmeros, o que fazem dos cupcakes uma obra de arte digna de lembrança dos matrimônios. Para entrar no clima, decidi fazer um, em casa mesmo. Com o pouco que tinha deu para fazer um bolinho gostoso e uma decoração muito bacana. Ótimo pra comer com um cafézinho!
No final de tudo, cheguei à conclusão de que os cups podem ser a nova moda, também, para aniversários e pequenas festinhas. E quem sabe, uma boa fonte de renda!
Segue então a receita, use a criatividade!

Meus cupcakes de chocolate com cobertura de ganashe e castanha.

Meu cupcakes de chocolate com cobertura de ganashe e castanha.

Cupcakes de Chocolate
Ingredientes

2 ovos
½ de xícara de açúcar
1 xícara de farinha de trigo
3 colheres de manteiga
½ de chocolate em pó
½ xícara de leite
150 g de chocolate meio amargo picado
1 colher de sopa de fermento em pó
15 forminhas de papel (tipo brigadeiro) grande

Modo de Preparo
Bata o açúcar com a manteiga na batedeira. Acrescente o chocolate e misture. Depois, acrescente os ovos, um de cada vez, batendo bem a cada adição. Por fim, acrescente a farinha de trigo peneirada junto com o fermento e o leite, alternadamente. Depois da massa bem batida, coloque os pedaços de chocolate meio amargo, mexendo só com a colher.Com a colher coloque a massa diretamente nas forminhas, enchendo até a metade. Coloque todas as forminhas em uma assadeira grande e leve ao forno pré-aquecido. Asse por 15 à 20 min. Como essa foi minha primeira tentativa errei ao colocar pouca massa na forminha, não esqueça de colocar até a metade da forma.

Para a cobertura, derreta 200g de chocolate meio amargo e depois acrescente 150g de creme de leite. Mexa bem e está pronto o “Ganashe”. Espalhe-o em cima do cupcake. Coloque um pouco de castanha de caju moída em cima para decorar.

O coraçãozinho foi feito com chocolate branco derretido e corante rosa. É necessário ter a forma do objeto que você deseja. A confecção é simples. Depois do chocolate misturado com o corante da cor que preferir, coloque-o na forminha e leve a geladeira ou freezer por alguns minutos. O objeto descola sozinho da forma. Use a criatividade!

Para ver cupcakes lindos, acesse o blog http://cupcakestakethecake.blogspot.com/

Prato Principal

A medula da cozinha pernambucana

Por Eduardo Sena
eduardo_sena@hotmail.com

Há muitos anos, em uma tribo indígena, uma jovem índia acordou-se pela manhã se sentindo grávida. A notícia logo se espalhou pela tribo, e o cacique desconfiava de todo mundo. Teria sido o homem branco? A barriga cresceu, e o pai da índia ainda estava inconformado. Porém, nunca ninguém soube quem foi o pai da criança. O que se sabe, é que nove meses depois nasceu Mani. Branca como a neve, a menina trouxe alegria para a tribo, enchendo de esperança o povoado. Mas toda essa felicidade durou pouco. Mani, quando fez um ano morreu. Os índios choravam dia e noite na sua cova. E a mãe, cheia de saudades, regava todo dia o lugar. Foi aí que nasceu uma planta vistosa, com raízes grossas e de carne branquinha, que poderia alimentar muita gente. E dessa planta sagrada veio o nome Manioca (casa de Mani), ou, como conhecemos hoje, mandioca.

Lendas a parte, a mandioca foi a base primeira de toda a alimentação dos nativos, sendo o alimento cultivado mais antigo do Brasil. É também a grande aquisição indígena no glossário pernambucano de sabores. A certa altura de seu livro, História da Alimentação do Brasil, o sociólogo Câmara Cascudo sentencia: “A raiz que alimentava o brasileiro é a mandioca”. Já o catequizador Padre Antônio Vieira, afiança “É o pão da terra”. As idéias apontam para um mesmo lado: não se concebe o pernambucano e sua cozinha sem a mandioca.

mandioca
Categoricamente, a raiz tem sua origem na África do Sul, e depois de seca e processada, era – e continua a ser – transformada em dois artigos de primeira linha na alimentação nativa: farinha e beiju. Está aí, há pelo menos cinco séculos na mesa pernambucana.

“Fraca, incompleta, irregular, defeituosa, subalterna, inferior, com tantos títulos de libelo acusatório, a mandioca, rainha do Brasil, continua inabalável no seu trono”, palavras de Cascudo.

O folclorista tinha razão, claro. Comum, barata e acessível, a mandioca sempre foi vulgarizada devido ao uso cotidiano. Mas ainda não encontrou rival a altura, para deleite na mesa. Aqui, fez um casamento maravilhoso com o charque, relação que ninguém separa. Nos mercados do Recife, macaxeira com guisado, carne de bode, carne de sol é também matrimônio para cerveja gelada.

Beiju: receita quase que milenar ainda pavita na mesa pernambucana

Beiju: receita quase que milenar ainda pavita na mesa pernambucana


Nas outras refeições a raiz também se faz presente, até meados do século 20, o comum era comer beiju e tapioca no lanche da tarde. No jantar, pirão era o prato – vinha em uma espécie de mingau quente de farinha em alguma caldo de carnes. Pirão, aliás, considerado por Gilberto Freyre, “ o mais brasileiro dos pratos”. Na falta do pão velho, com qual faziam suas acordas, o português usa a farinha de mandioca para engrossar caldos provenientes do cozimento de carnes. Come-se pirão em todo o Brasil. Em poucos lugares, tão cotidiana e orgulhosamente como em Pernambuco.

SOPA DE LETRAS

QUANTO VALE UMA TRUFA?
Por Carolina Sotero

Foi em Julho de 2007 que minha mãe tirou do papel a idéia de fazer trufas. Era só mais uma, das milhares iniciativas, para ganhar um dinheirinho extra. Mas não é que a coisa deu certo. No início foi difícil, trabalhar com chocolate requeria alguma experiência na cozinha – o que não tínhamos. Mas só foi preciso uns dois, três meses para alavancarmos com a “Dalurde, trufas e bombons”. O nome é em homenagem a minha avó, ainda viva, sem nenhuma receita secreta e sem habilidades no ramo da doçaria.

A partir dai a lista de sabores foi crescendo e a criatividade aumentando. Começamos nos tradicionais: Morango, Brigadeiro, Coco, Bem Casado, Cereja. Até chegarmos as de nomes estranhos e sabores inusitados: Bicho de Pé, Milho, Caipirinha, Paçoca, Marshmallow, Biscoito, Olho de Sogra, Whisky, Banana. É claro que caiu na boca do povo e assim fomos conquistando clientes e amigos.

Trufa de Panetonte, criada especialmente para o Natal.

Trufa de Panetonte, criada especialmente para o Natal.

A nossa fábrica de chocolate é pequena, só somos três. Uma mãe e duas filhas. Que, enquanto recheiam as trufas conversam sobre a novela, riem de velhos acontecidos, brigam por causa do atraso, contam piadas para disfarçar o cansaço. Quantas histórias já compartilhamos na mesa cheia de bombons? Não se pode contar. Enquanto preparamos trufas nossa família se desenvolve, cresce a cada dia. Tudo que fizemos e vendemos, até hoje, foi à base de relacionamento.

Depois que ficamos craques em chocolate, chegamos a dar aulas. Ensinamos às amigas como fazer trufas e como isso seria rentável. Com o dinheiro dessa empresa que deu certo eu pude viajar, pude aprender a economizar e ajudar nos custos da casa. Compramos um novo microondas, um novo guarda-roupa e aprendemos muita coisa além de temperar chocolate.

Caso alguém queria saber, nossa trufa custa R$ 1,30, mas não há preço que pague tudo o que fizemos e fomos nesses três anos na nossa cozinha!

Para quem quizer nos conhecer melhor, nosso blog é o : www.chocolatesdalurde.blogspot.com

NÓS SUGERIMOS

UM CAFÉ, MIL SABORES
Por Carolina Sotero

Estou no Rio Grande do Sul, mais precisamente São Leopoldo – 34 km de Porto Alegre. A cidade já está fria e os graus estão descendo cada vez mais. Mas não é motivo de preocupação, porque nesta época do ano: quanto mais frio melhor! É que as pessoas se enchem de roupa, tiram os casacos do armário (será que eles chegam a entrar? Porque em Recife eles mal existem) e fica aquele clima todo europeu, gostoso.

E o mais legal de tudo aqui nessa terrinha distante é admirar o que podemos chamar de a “cultura do café”. Todos amam os grãozinhos pretos! É uma fissura. O que não é nada mal para esse frio. Enquanto os nordestinos só tomam o pretinho pela manhã e a noite (exceto jornalistas e trabalhadores viciados), os gaúchos consomem a bebida até três vezes mais do que nós. E para abastecer tantos consumidores, o que não falta nas esquinas e ruas são os “cafés”.

Eles são os mais diferentes e criativos possíveis. E o cardápio não deixa absolutamente nada a desejar. São mais de 20 sabores diferentes. Expresso Especial, Expresso Clássico, Com Leite, Pingado, Cortado, Carioca, Cappuccino e Mocha são os tradicionais. À lista pode se acrescentar ainda os sabores criados pelas próprias cafeterias e os provenientes de marcas e lugares específicos. Para quem gosta dessa bebida que fez história no Brasil, este é o lugar!

Ta aí o cardápio que não me deixa mentir

Ta aí o cardápio que não me deixa mentir

Nesse clima de férias e frio segue então a sugestão de um café diferente e gostoso que leva o nome de “Amor Pefeito”.
Bom Café!

AMOR-PERFEITO

Ingredientes:
2 xícaras (chá) de leite quente
1 tablete pequeno de chocolate meio amargo picado
3 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) bem cheia de café em pó
1 colher (chá) rasa de canela em pó
3 colheres (sopa) de creme de leite

Modo de preparo:
Ferva o leite, junte o pó de café e deixe a infusão por 5 minutos. Coe, volte ao fogo, adicione o chocolate e o açúcar e mexa até derreter. Retire do fogo, acrescente a canela, o creme de leite, bata no liquidificador até ficar espumante. Sirva quente ou gelado.

O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo
que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo,
saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas-na-manteiga
que alguém pediu na mesa próxima.

Mário Quintana

Saindo do forno

Doces tradicionais de roupa nova

Por Eduardo Sena
eduardo_sena@hotmail.com

Quem, nos idos anos 90, nas festas de aniversário se refestelavam nos bem-casados, surpresas de uva, beijinhos, olhos de sogra e cajuzinhos, sofrem da nostalgia de não encontra-los mais nos eventos festivos de hoje. Ficou arbitrariamente combinado que tais iguarias estavam cafonas e antiquadas. Assim, foram sufocadas pelas trufas, e doces mais refinados que tem como base nababescas iguarias. Pensando nisso, a famosa doçaria Maria´s lançou nessa quarta-feira (8) um novo cardápio batizado de Maria´s wedding que traz os habituais doces de volta, desta vez, com uma nova releitura, corroborando com a idéia de que ser retrô é ser antenado.

Os tradicionais doces chegam incrementados com moderníssimos ingredientes em 23 novas propostas.

É, fundamentalmente, a fusão do clássico com o contemporâneo, o que rende belíssimos e saborosos acepipes.

Como no caso do Temake de goiaba, uma releitura do tradicional Romeu e Julieta. Nessa nova roupagem, a dama ganhou um novo par; o doce da goiaba vem envolto em uma massa com base de queijo do reino. Deliciosamente desconcertante.
GOIABA2

Já a surpresa de uva, aqui, deixa de ser surpresa. A fruta chega esplendidamente montada em uma base cremosa verde dentro de caixinhas de chocolate. Além de todo o sabor, o efeito visual fica incrível. UVA2

Segundo Maria Ângela Corte Real, uma das sócias da doçaria, a idéia partiu dos próprios clientes que queriam de volta os tradicionais doces nas festas.

“A partir desse desejo em comum, estamos resgatando essa doçaria tão clássica, mas de uma maneira repaginada. De forma que o trivial se torne mais apresentável em qualquer mesa”, explica Corte Real.

A aplicação do conceito foi irretocável, visivelmente clara no doce de bolo de rolo. O emblemático bolo se vestiu para festa e chega em mini pedaços banhados com chocolate ao leite, a espessura da capa de chocolate fica tão delicado quanto a massa do bolo. Sabores diferentes que formaram um par perfeito.BOLO DE ROLO O esquecido cajuzinho, que já fez alegria de muita gente, na coleção Maria´s Wedding, está fazendo jus ao nome que leva. Se antes levava amendoim como base para preparo, dessa vez tem castanhas inteiras sobre massa de brigadeiro branco e castanha. A cor não lembra o antigo, mas o sabor remete ao passado, só que de forma mais delicada.
CAJUZINHO2

Aplausos também para o Bombom Gergelim, em uma idéia genial, a Maria´s apostou nos antigos caramelizados para essa variante vanguardista. Em linhas gerais, é o brigadeiro branco, coberto de gergelim e banhado de caramelo. Crocante por fora, macio por dentro, com visual cintilante. GERGELIM2 Maria Ângela Corte Real e Conça Tavares acertaram em cheio ao promover esse resgate, se superando nesses 20 anos de sucesso da Maria´s. São duas décadas deixando a vida dos clientes, com muito estilo, cada vez mais doce.

Nós sugerimos

Na terra do acarajé, sorvete também é rei

Por Eduardo Sena // direto de Salvador

A Sorveteria da Ribeira não precisa de muito esforço para ser considerada a melhor sorveteria de Salvador. Foi a primeira, no início da década de 30, a levar a classe média para tomar sorvete para o nostálgico bairro da Ribeira, na cidade baixa. Hoje, a casa oferece mais de 50 sabores de sorvetes, e mais algumas sobremesas que tem como base o gelado.
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Os pedidos são servidos em copos descartáveis ou nas tradicionais casquinhas – eles chamam de cascalho, que podem levar até duas bolas. Cada bola é bem alentada, o que justifica o preço, R$3 cada uma. Alguns sabores nunca param na cuba: cajá, mangaba, chocolate, coco e caipiroska. Na extensa lista chama a atenção os sabores de algodão doce, genipapo e kiwi.

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A diversidade rende há seis anos o prêmio de melhor sorveteria soteropolitana de uma revista especializada.

E não se assuste ao se deparar com Ivete Sangalo no balcão ao seu lado, a cantora é super habitué da casa, e costuma pedir sempre o gelado no sabor de coco queimado.

E dá até para bater um papo, apesar do rápido atendimento, as filas chegam a demorar 15 minutos. Tempo que nem sempre é suficiente para você escolher o sabor desejado, arrisquei, e pedi kiwi com coco queimado. Maravilhosos. Consitentes, e como não são aerados, se tornam bem macios.

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Em Salvador, de frente para o bucólico Dique da Ribeira, com o emblemático sorvete. Nada como provar alguns ícones diante de outros.

Os famosos bolinhos de Iansã

Por Eduardo Sena // direto de Salvador

São quase 20h, dessa sexta-feira (3/7), e o bairro do Rio Vermelho, Salvador (BA), está totalmente perfumado pelo doce cheiro do azeite de dendê. Praticamente, em cada esquina está uma baiana – devidamente adornada, com um tabuleiro recheado pelos mais diversos acepipes baianos. Mas é no Acarajé da Dinha – badalado e reconhecido estabelecimento homônimo, que carrega no nome a mais conhecida iguaria soteropolitana, que a África e a Bahia andam de mão dadas.

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Aqui, os tachos fumegantes trabalharam sem parar, fritando os bolinhos de feijão-fradinho. Em iorubá, àkará é sinônimo de fogo vivo, ou bola de fogo. Em português, o chamamos acarajé. Lá ou cá, é fácil agraciar a tempestuosa Iansã. Ícone de independência, senhora dos raios e trovões, a orixá tem nesse bolinho frito um de seus acepipes prediletos. Iansã, ou Oyá, gosta de comida forte, picante. É um leopardo que come fogo.

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E o acarajé é o exemplo mais forte no Brasil de comidas que migraram do ambiente religioso para o prazer do paladar mundano: a comida que sai do altar para a mesa.

Pergunto a diligente baiana se na culinária afro-brasileira o sagrado e o profano andam de mãos dadas sempre. “Até 1900 mais ou menos, só se fazia para Iansã. Mas com o fim da escravidão as negras procuraram um meio para ganhar o pão de cada dia. E assim, começaram a montar seus tabuleiros para vender acarajé”, respondeu eloquentemente.

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No Acarajé da Dinha, o sagrado está presente, no canto do tabuleiro os noves primeiros acarajés fritos do dia ali repousam. A diligente baiana explicou que “Iansã, segunda mulher de Xangô, é conhecida como a mãe dos nove partos”. Sim, no tabuleiro da baiana também tem liturgia, essa assegurada desde que o acarajé foi tombado patrimônio histórico e material da Bahia.

Religiosidade a parte, pedi meu acarajé recheado com vatapá, camarão e saladinha, e com dendê na veia me refestelei no regozijo.

Não satisfeito, pedi mais outro. Se pequei, foi pela gula. Mas em nome de Iansã. Eparrei Oya!

Eventos

Do Brunoise ao Béarnaise
Por Camila Damasceno Lins

Em comemoração ao ano da França no Brasil, os eventos abordando a cultura francesa estão acontecedo a todo momento em todos os Estados do país. Em Pernambuco, não poderia ser diferente. E quando falamos em França, falamos em Gastronomia. O país é considerado o berço da alta culinária, e sua população já ganhou fama de ser o povo que mais se preocupa com a qualidade alimentar. Sabendo disso, os alunos do 2º período do Bacharelado em Gastronomia e do curso de Segurança Alimentar da Universidade Federal Rural de Pernambuco, prepararam um ciclo de palestras sobre a influência cultural e gastronômica da França no Brasil.
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Nesse encontro chefs de estabelecimentos franceses em Pernambuco, empresários e estudiosos da França conversaram com estudantes, profissionais da gastronomia e apreciadores dessa cultura. A cada palestra, o público terá um espaço para interagir com os palestrantes.

Prato Principal

O Santo mais querido

Por Eduardo Sena

Apesar de ter cara de Brasil, os festejos juninos tem raízes na Europa, comemorava-se nessa época a passagem para o verão. Era uma tradição pagã, na qual toda cerimônia de cultivo – plantação e colheita, exigia uma evento festivo. Ainda nesses idos era comemorada a colheita do trigo, e acontecia dia do solstício de verão, o dia mais longo do ano.

A Igreja Católica, por sua vez, quando não pode ir contra as tradições pagãs, ela acomoda e acolhe. E foi assim com essa celebração, para incorporar a população à sua doutrina ela colocou um santo para essa festa, São João. E tudo isso veio para o Brasil. Na ausência do trigo, o português elege o abundante milho nativo do Brasil para comemorar a festa do santo católico.

Com toda a estrutura católica, criou-se aqui o seguinte calendário do cultivo do milho.

Dia 19 de março, dia de São José, é dia de plantar – reza a lenda que nesse dia sempre chove. A colheita começa no dia de Santo Antônio, 13 de junho, e quando tudo dá certo, e São Pedro ajuda mandando chuva, São João se comemora com milho e fartura.

Com esse milho todo disponível, juntando com leite de coco trazido pelos africanos, juntando açúcar, foi nascendo o angu, o mungunzá, canjica, pamonha, bolo de milho, de fubá, de macaxeira, Souza Leão, pé-de-moleque, cocada. E nasceu aqui, também, o nosso cuscuz – da farinha de milho. Um cuscuz, que é muito mais saboroso do que o que o africano e português conheciam antes de aqui chegarem.

A culinária junina é, portanto, um mosaico dos sabores altivos das raças. O milho indígena, com o leite de coco africano, técnicas de cocção portuguesas e especiarias européias tão utilizadas em nossos pratos: canela, cravo, gengibre.

Os lusos também nos ensinaram a importância do leite, do ovo, da manteiga. Com essas três influências, nossa gastronomia ficou forte. Forte como nosso povo, e generosa como nossa alma.

A redenção do milho

O milho, cultivado pelos tupis do litoral brasileiro, era só comida de passatempo. Espigas assadas diretamente sobre a brasa. Com ele faziam também mingau grosso e, sobretudo, uma bebida muito apreciada, o abaati – em que caroços de milho, mastigados por mulheres da tribo, eram colocados na água para ferver e fermentar. Até muito depois da chegada do colonizador, foi apenas alimento de animal e de escravo.

Plantam os portugueses este milho para mantença dos cavalos, e criação de galinhas e cabras, ovelhas e porcos; e aos negros de Guiné…”

descreveu o relato de Gabriel Soares de Souza.

O milho, nunca foi para os nossos índios, como cultura, tão forte quanto a mandioca. E para o colonizador, era apenas alimento de animal e de escravo. Mas os escravos foram, ao longo do tempo, criando novos jeitos de preparar esse milho. Juntando ingredientes que lhes consentiam usar a casa-grande – açúcar mascavo, leite de coco, mandioca. E todas as receitas foram incorporadas pelas senhoras de engenho.

Comidas tradicionais

Como resultado desse laboratório ministrado pelas três raças, a culinária de São João se formou fortemente cativando os mais diversos paladares. Entre esses pratos está o angu, servido na tradição religiosa africana às pessoas que compareciam aos velórios. É uma espécie de sopa doce que aqui passou a ser feita com milho branco, cozido em água e leite de coco, temperado com açúcar, erva-doce, e canela. No sul é conhecido como canjica.

Já nossa canjica, aqui do nordeste (no sul, chama-se curau), é um angu mais refinado. o milho é mais trabalhado, é tirada toda a pele, para ficar só a massa, fazendo assim o prato ficar mais delicado. A pamonha, por sua vez, também vem da massa do milho. É uma adaptação da pamunhã (em tupi, papa grossa de milho) indígena, originalmente cozida na folha de bananeira, os escravos refizeram o método utilizando a palha do próprio milho como suporte.

Você na cozinha

Cabidela contemporânea

Por Eduardo Sena

Na última segunda-feira, postei uma matéria sobre o frango. Em especial, abordei o galeto de rua e a galinha de cabidela. Como de costume, nosso blog também traz receitas, e que tal trazer dessa vez a receita de uma galinha de cabidela contemporânea? Sim, contemporânea. Nessa versão ,o tradicional prato luso não leva sangue. No lugar dele, a galinha é escurecida com polpa de açaí e vinagre. Pode enganar aos menos atentos, a acidez do prato original está lá. O sabor tradicional também comparece. Porém com um toque frutado. Acredite, o preparo adaptado, além de mais leve possui praticamente o mesmo sabor. A invenção é do sempre surpreendente Douglas Van Der Ley (É, It).


Galinha de cabidela no açaí

Ingredientes:
1 frango inteiro em pedaços
2 cebolas grandes
4 dentes de alho
Cebolinha verde a gosto
Coentro a gosto
Azeite de oliva a gosto
4 colheres de sopa de vinagre
Pimenta-do-reino
1 folha de louro
400 ml de vinho branco
250g de polpa de açaí
500 ml de água

Como fazer:

Em uma panela funda, junte o azeite e faça um bom refogado com as cebolas picadas, o alho bem picado e a cebolinha verde cortada finamente. Acrescente o vinho para deglacear (processo para dar cor e sabor ao molho) o fundo da panela, e vá colocando frango já temperado com sal e pimenta para cozinhar junto à polpa de açaí. Com o fogo baixo, mexa às vezes, para que o molho não pegue no fundo e, se preciso, coloque um pouco de água para diluir o molho. Quando estiver pronto para servir, coloque o coentro picado a gosto e o vinagre, e acerte o sal e a pimenta.

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